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Simão Dias passou da categoria de
Vila para a de Cidade, em 12 de Junho de 1890, por decreto do
presidente do Estado Felisbelo Freire, sob o argumento que a
mesma possuía uma grande população — 10.984 pessoas, um comércio
próspero, uma estrada de ferro que ligava a referida Vila a
Aracaju, bem como, a existência de uma comarca recém criada. Com
base nesses argumentos a Vila foi emancipada do município de
Lagarto. A estrada de ferro, que serviu como uns dos argumentos
para a emancipação política da antiga Vila, jamais foi
concluída, restando hoje, algumas escavações e bases de pontes
por onde passaria as linhas férreas, que permanecem abandonadas
em fazendas da região.
O nome do município é uma homenagem
ao colono que remonta aos primeiros tempos da ocupação do
território sergipano. Trata-se de Simão Dias Francês, que nos
anos de 1599, 1602 e 1607, juntamente com Cristóvão Dias e
Agostinho da Costa, através de requerimento, solicitaram a
concessão de sesmarias na região. O último requerimento, do qual
o códice está no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe,
solicita “três léguas de terra em quadro” nas terras devolutas
de Itabaiana,, para a criação de gado. Felisbelo Freire que além
de presidente do estado foi também historiador afirma:
“Os terrenos onde está edificada
hoje (1891) a Vila de Simão Dias foram doadas a Simão Dias
Fontes, Cristóvão Dias e Agostinho da Costa”.(FREIRE: 1997,
p..322).
No entanto a tese sustentada pelo
historiador Felisbelo Freire foi alvo de contestação pelo Pe.
João de Matos Carvalho, que tinha a intenção de homenagear o
Comendador Sebastião da Fonseca Andrade (Barão de Santa Rosa)
pela construção do templo da atual matriz de Santana. O Pe. João
de Matos se aproveitou das contradições encontradas nas várias
teses sobre a origem da povoação, pois os documentos históricos
que falavam de Simão Dias, em cartas de doação de sesmarias,
possuem sobrenomes diversificados, além de solicitarem sesmarias
em períodos diferentes. Diante disso, para o Padre João de Matos
Carvalho, havia a possibilidade de existir dois personagens
históricos com o mesmo nome. Na intenção de provocar
controvérsias e enfraquecer a tese de Felisbelo Freire, ele
publicou uma obra intitulada “Matas de Simão Dias”, na qual
defende veemente a tese de que a cidade teria se originado
graças à doação de sua ancestral Ana Francisca Menezes. O
objetivo era levantar a dúvida sobre a versão histórica, bem
como, menosprezar a figura do vaqueiro e enaltecer a figura da
sua ancestral, doadora das terras onde foi edificada a primeira
capela que originou a freguesia de Santana de Simão Dias.
Antes de ter “status” de vila, o
atual município foi constituído como Freguesia, pela Lei de 6 de
fevereiro de 1835, desmembrando-se da Freguesia de Lagarto. A
capela que motivou a sua criação data de 1655, conforme defende
historiadores. No entanto o único documento antigo sobre o
assunto é de 1784.
Devido ao progresso da Freguesia o
governo da Província baixou em 15 de março de 1850, o decreto
que elevou à categoria de vila com o nome de Senhora Sant’Ana de
Simão Dias.
Assim, o município de Simão Dias,
teve essa denominação desde a condição de freguesia e vila. Mas
o nome que homenageava o seu primeiro povoador permaneceu pouco
tempo, pois o intento do Pe. João de Matos Freire de Carvalho
foi alcançado, e em 25 de outubro de 1912, a cidade passaria a
ser denominada como Anápolis, pelo Decreto Lei de n° 621. Após
muitas controvérsias e reações, principalmente da imprensa, o
nome de Simão Dias foi restabelecido pelo Decreto Lei n° 533, de
7 de dezembro de 1944, favorecido pela determinação do Governo
Federal, do então Getúlio Vargas, que aprovou o plano do IBGE,
coibindo a coincidência de municípios com mesma denominação.
Como existia um município goiano com o mesmo nome, e mais
antigo, a Anápolis sergipana teve que modificar o nome.
Quanto à política, o município
simãodiense teve uma longa fase de domínio oligárquico, aonde o
poder local era exclusivo aos grandes proprietários rurais. A
práticas coronelistas estiveram presentes nessa fase, sendo
possível verificar resquícios do coronelismo até os dias de
hoje. No entanto a partir da década de 1930, é que começa a
decadência dos grandes proprietários na política local, devido
às mudanças ocorridas em decorrência da revolução, bem como, o
fenômeno populista desenvolvido a partir da década de 40.
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